APVC - Associação para a Protecção do Vale do Coronado
Vale do Coronado [vs] Plataforma Logística Maia-Trofa

O Vale do Coronado situa-se no Grande Porto, estendendo-se pelos concelhos da Trofa e da Maia, portanto, fica bem pertinho da cidade Invicta!

A Reserva Agrícola do Vale do Coronado corre o risco de ser destruída pela anunciada Plataforma Logística Maia-Trofa. Adivinha-se um dos maiores crimes ambientais da história do Grande Porto.

Cerca de 160 hectares serão engolidos pela fúria do betão!
Ecologia sustentável e biodiversidade em perigo!!!

Vai ficar a assistir, impávido e sereno, a mais um crime ambiental?!
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E lá também poderá ler a tomada de posição e recusar a destruição do Vale do Coronado.

Esta e outras eco-causas têm divulgação actualizada no BIFE RadioShow, AQUI



A CONVERGIR RECUSA A DESTRUIÇÃO DO VALE AGRÍCOLA DO CORONADO (MAIA-TROFA)

Já lá vai mais de um ano desde que o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações apresentou o projecto de Rede Nacional de Plataformas Logísticas. Essa rede prevê a construção de uma plataforma intermodal, de características urbanas e nacionais, na área do Grande Porto, mais concretamente no Vale do Coronado, em terrenos pertencentes aos concelhos da Trofa e da Maia. As associações integrantes da rede de cooperação interassociativa Convergir têm procurado acompanhar o processo, nomeadamente os esforços das populações e das associações de defesa do ambiente da região na procura de uma localização alternativa para a referida plataforma que evite a destruição do Vale do Coronado, mas têm visto o seu trabalho dificultado pelo muro de silêncio estabelecido à volta de todo este processo por parte das entidades oficiais.

Entende a Convergir que a dimensão do projecto, os impactes variados e significativos que lhe estão associados, nomeadamente os de natureza ambiental e social, e particularmente o facto de ele ser apontado para o Vale do Coronado, composto maioritariamente por terrenos agrícolas integrantes da Reserva Agrícola Nacional, justifica que a decisão que vier a ser tomada seja o mais amplamente participada, no respeito aliás de princípios hoje largamente aceites e reconhecidos por quantos assinaram a convenção de Aarhus, da qual Portugal é um dos subscritores.

A Convergir lamenta pois o secretismo que envolve todo o processo, e na linha das preocupações anteriormente manifestadas, particularmente pela ADAPTA – Associação para a Defesa do Ambiente e do Património na Região da Trofa, pela Cooperativa Agrícola de Santo Tirso e Trofa, pela Cooperativa Agrícola da Maia e pelas populações da região, particularmente das freguesias de S. Mamede do Coronado, de S. Romão do Coronado e de Folgosa, que, em sessão pública realizada no dia 7 de Dezembro de 2006, se manifestaram claramente contra a localização, vem alertar os responsáveis para o seguinte:

1. Apesar de alguns responsáveis governamentais terem afirmado que o projecto inicial foi alterado, com a diminuição para 160 hectares da dimensão da área a afectar à Plataforma Logística de Maia e Trofa, algo que está por confirmar, o problema de fundo subsiste na medida em que grande parte dessa área de 160 hectares é solo arável de Classe A e como tal integrante da Reserva Agrícola Nacional.

2. Mesmo com menores dimensões do que as inicialmente previstas e apesar de uma ligeira deslocalização para Sul, a implantação da plataforma logística da Maia/Trofa nos terrenos agrícolas do Vale do Coronado acabará por inevitavelmente levar à ocupação de todos esses terrenos, destruindo assim uma das maiores manchas de solo arável existente na Área Metropolitana do Porto.

3. A eventual destruição do Vale do Coronado, devido à construção de uma infra-estrutura logística de grandes dimensões, terá implicações ambientais enormes em toda a região, destruindo um valioso ecossistema que, não obstante as enormes pressões urbanísticas de que tem sido alvo, foi possível até agora preservar.

4. Sendo o Vale do Coronado formado por terrenos de aluvião, atravessados pela Ribeira da Mamoa, onde a água anda à superfície, a construção da plataforma logística nesses terrenos levará à impermeabilização de vastas áreas, com consequências ao nível das escorrências e do escoamento superficial e subterrâneo e consequentemente dos recursos hídricos existentes.

5. Com a construção da plataforma naquele local, a paisagem esteticamente agradável e a biodiversidade aí existentes serão profundamente afectadas, assistindo-se à fragmentação da paisagem e do habitat, bem como à destruição de solos férteis, com a correspondente disfunção ecológica. O ruído aumentará e o acréscimo da circulação de viaturas pesadas será responsável pela libertação de grandes quantidades de partículas e de químicos poluentes. Tudo isto provocará perturbações na saúde das populações e danos nos edifícios e no ambiente.

6. A localização de uma plataforma logística no fértil Vale do Coronado, encurralando a área urbana das freguesias de S. Romão do Coronado, de S. Mamede do Coronado, e de Folgosa, acarretará pois graves consequências para a qualidade de vida das populações dessas mesmas freguesias, destruindo um ecossistema milenar, que moldou a identidade das comunidades aí residentes, que desse ponto de vista ficarão irremediavelmente mais pobres.

7. No deve e haver das consequências económicas e sociais, o fim da actividade agrícola decorrente necessariamente da construção da plataforma não deixará de ter profundas consequências sobre o tecido produtivo da região, afectando drasticamente o rendimento de largas dezenas de famílias que da terra retiram o seu sustento. O legítimo e saudável apego de grande parte desses agricultores à sua actividade e à sua terra, e a um valioso património paisagístico e ecológico, faz com que alegadas vantagens económicas resultantes da plataforma, que podem ser obtidas em eventual localização alternativa, não possam de forma alguma compensar essa perda.

A Convergir é a favor do desenvolvimento, desde que este seja sustentável. Por isso, apesar da alegada importância económica, social e até ambiental deste projecto, não pode aceitar a sua localização prevista para o Vale do Coronado, tanto mais que existem outras alternativas que devem desde já ser estudadas, para que em sede de processo de Avaliação de Impacte Ambiental, no respeito pelos normativos legais em vigor, possam vir a ser confrontadas e avaliadas.

A Convergir manifesta total vontade e disponibilidade para participar num processo transparente e honesto tendo em vista evitar a destruição do Vale do Coronado. Cabe à tutela encontrar a melhor solução para que a Área Metropolitana do Porto possa vir a ter uma plataforma logística sustentável em local onde não sejam destruídos valores patrimoniais e naturais insubstituíveis, estando a Convergir disponível para colaborar na procura de alternativas. Mas exige também mais transparência e mais informação em todo o processo, na certeza de que jamais se comprometerá com uma solução que não respeite as pessoas e o ambiente, como parece ser o caso daquela que dizem estar prevista para o Vale do Coronado.

Porto, 19 de Outubro de 2007
Convergir - rede de cooperação interassociativa
www.convergir.org


Já sabemos que, para muitos decisores políticos, urbanistas, planeadores e tecnocratas, o mundo rural, a terra, o solo agrícola, não merecem consideração. O que se vê é mesmo a tentativa de associar ruralidade a atraso e pobreza. O uso do solo para fins agrícolas é apenas tolerado, relegado para bem longe das cidades, que a lógica das mais-valias e da especulação fundiária a isso conduz. Não admira, por isso, que sobre o Vale do Coronado penda agora uma pesada ameaça.

Mas, de que estamos a falar? De um vale agrícola, cuja superfície ocupa partes dos concelhos da Maia e da Trofa, formado por terras de aluvião, férteis e abundantes em água. Esses terrenos pertencem, pela sua qualidade, à Reserva Agrícola Nacional, configurando uma das maiores manchas de solo arável na Área Metropolitana do Porto. Centenas de hectares abrigando agricultura viável e populações que, em boa parte, apesar do processo de urbanização adjacente, beneficiam das vantagens económicas e ambientais de uma tal paisagem, de contornos seculares.

Mas o Governo, através do Ministério das Obras Públicas, anunciou há um ano a instalação, em pleno Vale do Coronado, de uma plataforma intermodal, integrada na chamada Rede Nacional de Plataformas Logísticas.

Agrupar um conjunto de estruturas de apoio aos diferentes tipos de transportes, agilizando o tráfego de mercadorias e induzindo economias de escala- assim dizem os entendidos- pode até ser uma ideia defensável. Mas a localização, meu Deus, é que não podia ser mais infeliz e desastrada.

Voltamos ao início - que importa a fertilidade de um vale, a vida de tantas pessoas, uma paisagem íntegra e valiosa enquanto tal, sequer a necessidade de mantermos os poucos solos que ainda temos para produção alimentar de qualidade? Outros valores se alevantam, aparentemente. E a decisão política de ali construir, de betonar e poluir o vale e as suas águas, foi tomada e reafirmada.

Contestação aumenta

Pouco se sabe do assunto desde o anúncio da decisão, e nada tem sido discutido. A contestação vai subindo de tom, partindo dos agricultores, reunidos na cooperativa agrícola de Santo Tirso e Trofa e na sua congénere da Maia, e pelas populações, especialmente as das freguesias de S. Mamede do Coronado, de S.Romão do Coronado e de Folgosa, que têm comparecido a sessões em número considerável.

Face ao silêncio do Ministério (esperemos que não seja prenúncio de inflexibilidade) crescem inquietações. A Convergir - estrutura interassociativa ambientalista, tomou há dias posição "Com a construção da plataforma naquele local, a paisagem esteticamente agradável e a biodiversidade aí existente serão profundamente afectadas, assistindo-se à fragmentação da paisagem e do habitat, bem como à destruição de solos férteis, com a correspondente disfunção ecológica.

O ruído aumentará e o acréscimo da circulação de viaturas pesadas será responsável pela libertação de grandes quantidades de partículas e de químicos poluentes. Tudo isto provocará perturbações na saúde das populações e danos nos edifícios e no ambiente."

A verdade é que há alternativas de localização para a dita plataforma. O Vale do Coronado é que não pode ser removido para outro lugar, e o património económico, ecológico e cultural que encerra perder-se-á para sempre.

A agricultura não deve ser erradicada das periferias urbanas. Persistir nesse caminho é um erro trágico, que aliás contraria o que se vai fazendo em muitos países da União Europeia. Destruir a paisagem rural, substitui-la por betão e asfalto, eis o que pode ser considerado um crime contra o (nosso) futuro, mesmo que cometido em nome do sacrossanto progresso.

Bernardino Guimarães, ambientalista
in Jornal de Notícias, LER AQUI, 30.10.2007